Recentemente estava examinando um paciente de noventa anos e ele me disse sorridente: “a doutora examina como os médicos de antigamente!”. Fiquei pensativa com o comentário. De fato, sabemos que pelo tempo de consulta que o sistema público e os convênios impõem aos médicos, as consultas muitas vezes são despachos para troca de receitas e solicitação de exames. Muitas vezes o médico mal escuta o que o paciente tem a dizer, mal olha nos seus olhos e mal coloca a mão no paciente.
Por isso costumo dizer que o geriatra particular, é sim aquele médico de cabeceira que muitos desejariam ter. É como “os médicos de antigamente”. Muitas vezes o nosso trabalho é o de gerenciar um grande número de especialistas envolvidos no cuidado do paciente e unificar as informações para a família.
Justamente por esse papel, o geriatra como médico de cabeceira é aquele mais próximo e a quem se pode recorrer para tirar dúvidas diversas sobre os cuidados da saúde, para pedir orientações em caso de sintomas que não estão controlados e para dar retorno em cada situação especial pela qual passar o paciente.
E quando procurar um geriatra? Não há uma idade fixa para isso. Acompanhamos adultos que querem receber uma visão integral de sua saúde, que querem ser vistos como um todo e pessoas maduras que querem envelhecer bem. Acompanhamos idosos saudáveis ou idosos de saúde delicada com múltiplos problemas. E também acompanhamos pessoas em uma das fases mais especiais da vida, o final dela.
Realmente por isso a especialidade nos faz médicos muito presentes na vida e na família dos pacientes. Insisto na ideia de médico de cabeceira porque essa relação de proximidade tem muito a ver com a real vocação da Medicina que não é – ou não deveria ser – a de uma relação comercial. Medicina de verdade significa ciência e arte, significa cuidar. E quem não quer e não precisa ser cuidado?
Este é um blog eclético. A Geriatria, especialidade médica voltada para o cuidado das pessoas em processo de envelhecimento, é o nosso eixo e o nosso pretexto. Entretanto, assim como os idosos costumam ter muitas histórias para contar, os nossos temas são muito variados: vão desde aspectos médicos técnicos, passam pela Bioética e chegam até os cumes da Teologia!
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15 de setembro de 2015
30 de junho de 2012
O terceiro ato da vida
Penso que estou no segundo ato da minha vida, uma fase muito interessante porque é plena vida adulta, passado o período de estréia. O adulto tem já um traquejo que nos ajuda a encarar a vida de uma forma diferente.
Pois se o segundo ato é tão interessante, o que não dizer do terceiro ato? Realmente acho que não aceitar o envelhecimento é uma grande pobreza: é não ser capaz de enxergar que realmente a maturidade moral e espiritual valem muito mais do que a beleza e o vigor físico. Essas ideias não são um consolo barato para aqueles que já entraram em cena para a terceira ou até quarta fase! Não! Sabedoria, experiência, maturidade não são bens que se podem ser adquiridos com cremes, remédios, academia ou cirurgia plástica. São valores que merecem a pena!
Pois se o segundo ato é tão interessante, o que não dizer do terceiro ato? Realmente acho que não aceitar o envelhecimento é uma grande pobreza: é não ser capaz de enxergar que realmente a maturidade moral e espiritual valem muito mais do que a beleza e o vigor físico. Essas ideias não são um consolo barato para aqueles que já entraram em cena para a terceira ou até quarta fase! Não! Sabedoria, experiência, maturidade não são bens que se podem ser adquiridos com cremes, remédios, academia ou cirurgia plástica. São valores que merecem a pena!
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3 de maio de 2011
Entrevista sobre geriatria
Publico uma entrevista concedida ao Blog Longevidade da Silvia Masc, que faz um excelente trabalho de informação. Admiro muito o trabalho dela!
LONGEVIDADE: Qual a diferença de Geriatria e Gerontologia?
DRA. LUCIANA: Ambos os termos foram criados no início do século XX. “Geriatria” é a especialidade médica voltada aos indivíduos em processo franco de envelhecimento e às questões de saúde peculiares a esse período da vida. Já o termo “gerontologia” refere-se ao estudo do envelhecimento de forma mais ampla, em todas as áreas relacionadas à saúde. Nesse sentido, muitas profissões podem se dedicar à gerontologia, ou seja, ao que se refere às especificidades dessa população. Assim, outros profissionais podem se especializar em gerontologia dentro de seu âmbito de atuação.
LONGEVIDADE: Quais os objetivos principais da Geriatria?
DRA. LUCIANA: Em primeiro lugar essa especialidade médica está focada na prevenção, mas também no tratamento de doenças e outros problemas comuns aos indivíduos que estão envelhecendo. O geriatra tem uma visão ampla do paciente, buscando sempre formas de contornar, na medida do possível, limitações à independência física e à autonomia moral dos idosos sob seus cuidados.
LONGEVIDADE: Quais os problemas mais comuns enfrentados pelos idosos?
DRA. LUCIANA: Há problemas em diversos campos: no campo da saúde, por exemplo, as doenças mais comuns são hipertensão arterial, diabetes, elevação do colesterol, osteoporose, artrose, perda de memória, depressão, obesidade, quedas, fraqueza etc. Entretanto, há muitas pessoas que chegam a idades avançadas sem muitas doenças e com enorme independência física e mental. Esse é o objetivo do envelhecimento saudável, da promoção de saúde desde cedo.
Outros problemas enfrentados pelos idosos são os sociais: mudanças de papéis dentro da família e na sociedade, por exemplo, quem antes gerenciava passa a ser gerenciado; perdas econômicas devido às baixas aposentadorias; isolamento e perdas afetivas pela morte de pessoas próximas. São situações que não raramente geram crises nas pessoas que envelhecem.
LONGEVIDADE: Como esses problemas podem ser prevenidos?
DRA. LUCIANA: No âmbito da saúde física e mental é preciso cultivar desde o mais cedo possível, hábitos saudáveis de vida. São comportamentos que fazem muita diferença com o passar dos anos: alimentação equilibrada; prática regular de atividade física; dormir bem; consumir pouco álcool; não fumar; descansar com periodicidade; cultivar vínculos sólidos com a família e com os amigos; evitar um ritmo frenético, estressante de vida.
No âmbito social, é muito importante planejar o envelhecimento. Em geral as pessoas com 20 ou 30 anos não pensam nisso mas esse planejamento não pode ficar para quando faltarem 5 anos para a aposentadoria. O indivíduo precisa ao menos idealizar o que pretende fazer quando se aposentar e, de preferência, ter reservas econômicas para esse período que cada vez tende a ser mais longo e que pode ser muito feliz. Nesse sentido, a socialização, os vínculos de amizade e a espiritualidade têm papel central para uma velhice feliz, ainda que com alguns problemas já que a vida sempre é permeada de dificuldades...
LONGEVIDADE: Mesmo saudável o idoso deve procurar um médico? Por quê?
DRA. LUCIANA: Sem dúvidas que sim. O ditado é sábio: é melhor prevenir do que remediar! Ou em outras palavras, a prevenção é sempre o melhor remédio.
Há pessoas que afirmam que não vão ao médico porque “quem procura, acha”. Isso é uma grande bobagem porque muitos problemas de saúde podem ser minimizados, quando não curados, se são diagnosticados cedo. E mesmo na ausência de doenças, há o aconselhamento de hábitos saudáveis individualizados que não devem ser menosprezados como parte da consulta médica.
Além do mais, a prevenção da perda de independência física ou da autonomia moral, ou seja, da capacidade de gerenciar a própria vida, são aspectos essenciais que podem ser analisados na consulta com o especialista.
LONGEVIDADE: Como a atividade física pode melhorar a vida de um idoso?
DRA. LUCIANA: A atividade física só traz benefícios, está associada com a minimização dos problemas mais comuns aos idosos: melhora o controle da pressão arterial, do açúcar no sangue, do colesterol, das dores crônicas; melhora a fraqueza muscular; fortalece os ossos; melhora queixas de esquecimentos, de sintomas depressivos, de tontura, desequilíbrio, ansiedade; melhora qualidade do sono e a qualidade de vida de uma forma geral.
LONGEVIDADE: É importante que outros profissionais também acompanhem o idoso ou apenas o geriatra já é suficiente?
DRA. LUCIANA: O geriatra funciona como um gerente do seu paciente. É comum que o idoso tenha que passar em vários especialistas e muitas vezes esses diversos acompanhamentos são fragmentados e um profissional acaba “atrapalhando” o outro. O geriatra deve funcionar como um pivô desse elenco todo. No âmbito médico, boa parte dos problemas mais comuns podem ser acompanhados só pelo geriatra, porém algumas vezes ele mesmo vai julgar ser necessário a opinião ou acompanhamento de um especialista ou de outros profissionais.
LONGEVIDADE: Qual a diferença entre loucura e demência?
DRA. LUCIANA: “Loucura” é um termo pejorativo e impreciso. Do ponto de vista técnico, diz muito pouco ou só imprime um preconceito. Pessoas sui generis podem ser chamadas de “loucas”quando na verdade são simplesmente “diferentes”.
Já o termo “demência”, esse, sim, é um termo técnico. Demência é um conjunto de sinais e sintomas que demonstram que aquele indivíduo está padecendo de uma doença com repercussões na sua capacidade de raciocínio, memória, coordenação, compreensão etc. Esse indivíduo precisa ser avaliado por um especialista e deve ser tratado.
Chamar de doença o que é doença é mais importante do que parece: uma pessoa que tem toda uma história de vida e que começa a adoecer e mudar seu comportamento, deve ter sua biografia preservada. Essa pessoa precisa ser protegida para que não seja mal interpretada. Por exemplo: um idoso que sempre foi muito correto e que começa a apresentar comportamentos indecorosos precisa ser protegido já que ele não é mais senhor de seus atos. E a família necessita perceber a situação e procurar ajuda, sem “achar que é normal da idade”.
LONGEVIDADE: Para os idosos que conduzem veículo, em que momento devem para de fazê-lo?
DRA. LUCIANA: Essa é uma boa pergunta. Não há uma idade máxima para dirigir. Cada pessoa apresenta um ritmo de envelhecimento muito diferente da outra. Sempre cito a comparação de um idoso de 60 anos que pode estar acamado por uma seqüela de um acidente vascular, por exemplo, com outro de 90 anos que ainda trabalha nos seus negócios. São situações completamente diferentes.
Assim, a questão de dirigir deve será analisada caso a caso. É fato comum que o envelhecimento traz um retardo nos reflexos e lentificação dos movimentos mas também costuma trazer hábitos mais prudentes. Portanto, devemos olhar o conjunto da saúde do idoso. Esse assunto pode ser discutido na consulta com o geriatra.
LONGEVIDADE: Em que momento, devemos consultar um geriatra?
DRA. LUCIANA: Não há uma idade ideal para fazê-lo. O geriatra é um clínico geral também por isso está apto a começar a acompanhar seus pacientes desde a idade adulta. Entretanto, sabemos que não há um número de geriatras suficiente para a parcela da população que está envelhecendo. Assim, outros médicos costumam indicar um geriatra quando o paciente apresenta diversas limitações comuns à idade e que o geriatra está habituado a lidar.
LONGEVIDADE: Quais sugestões, a Sra. daria para enriquecer o conteúdo do Longevidade?
DRA. LUCIANA: Acho o blog com uma atividade incrível. É simplesmente maravilhoso que ele seja atualizado diariamente. É um trabalho imenso que a Silvia leva com maestria. O conteúdo é tão diversificado que não tenho muito como sugerir coisas novas! Talvez o blog poderia fazia mais parcerias com instituições diversas para expandir seu raio de ação e a Silvia poderia se dedicar inteiramente a ele!
Leia mais: http://longevidade-silvia.blogspot.com/2011/04/apresentando-geriatra-dra-luciana.html#ixzz1LJdbcTKQ
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2 de maio de 2011
Um texto para refletir - Rubem Alves
Esse texto estava recolhido esses dias no blog de uma amiga: (http://supremamaegaia.blogspot.com/2011_04_24_archive.html#3599455056169133929)
Sobre a Velhice
Por oposição aos gerontologistas, que analisam a velhice como um processo biológico, eu estou interessado na velhice como um acontecimento estético. A velhice tem a sua beleza, que é a beleza do crepúsculo. A juventude eterna, que é o padrão estético dominante em nossa sociedade, pertence à estética das manhãs. As manhãs têm uma beleza unica que lhes é própria. Mas o crepúsculo tem um outro tipo de beleza, totalmente diferente da beleza das manhãs. A beleza do crepúsculo é tranquila, silenciosa - talvez solitária.
No crepúsculo, tomamos consciência do tempo. Nas manhãs, o céu é como um mar azul, imóvel. Nos crepúsculos, as cores se põem em movimento: o azul vira verde, o verde vira amarelo, o amarelo vira abóbora, o abóbora vira vermelho, o vermelho vira roxo - tudo rapidamente. Ao sentir a passagem do tempo, nós percebemos que é preciso viver o momento intensamente. "Tempus fugit" - o tempo foge -, portanto, "carpe diem" - colha o dia. No crepúsculo, sabemos que a noite está chegando. Na velhice, sabemos que a morte está chegando. E isso nos torna mais sábios e nos faz degustar cada momento como uma alegria unica. Quem sabe que está vivendo a despedida olha para a vida com olhos mais ternos . . .
(Rubem Alves)
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23 de novembro de 2010
5 minutos que valem uma longa vida
Como médica geriatra e cidadã, chama-me muita atenção pelas ruas de São Paulo, o número de idosos, acompanhados ou sozinhos, ágeis ou até com sérias dificuldades de locomoção, que atravessam as ruas da cidade – que tem um dos tráfegos mais agressivos do mundo – fora da faixa de pedestres ou na faixa, mas em momentos inadequados. Flagro esse tipo de comportamento quase diariamente.
Fazendo um levantamento pelo site do DataSUS, só na cidade de São Paulo, de janeiro a setembro de 2010, houve mais de 800 internações hospitalares de pessoas maiores de 50 anos e 106 mortes nessa faixa etária, por atropelamento. Durante todo o ano de 2009 foram quase 1000 internações e 119 mortes. Levando em conta que esses dados só se referem aos piores desfechos, é incalculável, entretanto, o tamanho do problema, um problema de maus hábitos da nossa cultura.
O que significa de fato aguardar 5 minutos até que o farol seja favorável à travessia? Não podemos esquecer, que dado o fluxo de veículos na cidade, os semáforos para pedestres freqüentemente mantém-se aberto durante um tempo insuficiente para a travessia de uma pessoa com dificuldades de locomoção. Portanto, nesses casos, a travessia deve ser feita em duas etapas, normalmente aguardando na ilhas centrais das grandes avenidas, por exemplo. 
Sugiro que, independentemente da idade, todos tenhamos a responsabilidade e nos eduquemos em primeiro lugar, a fazer travessias seguras. Hoje muitas pessoas chegam à terceira idade em excelente estado de saúde ou em estado bastante bom. Vemos, no entanto, que um número nada desprezível de idosos sofrem, já na maturidade, algum tipo de acidente que transforma totalmente essa história vitoriosa de saúde.
A maioria dos acidentes, como bem sabemos, é evitável. As quedas da própria altura são, entre as causa externas, as que mais levam a lesões permanentes entre os idosos. Esse assunto ficará para outro artigo, mas hoje, só queria ressaltar o papel de cada cidadão na educação no trânsito, um grande tema de saúde pública que afeta a todas as idades.
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20 de novembro de 2010
Um sonho realizado aos 75 anos
Therezinha nasceu em Pirajuí, nos idos anos de 1935. É a 13ª de 14 filhos de uma família que tinha poucos recursos econômicos.
Embora não tenha nem completado o primeiro grau nos estudos, aos 35 anos, sem saber tocar nenhum instrumento musical, começou a compor. Tinha boa voz e passou a criar suas próprias melodias que cantarolava enquanto trabalhava. Therezinha compôs dezenas de músicas, que só ganharam gravações caseiras de alguns amigos. Primeiro vinha a melodia na cabeça, depois as letras eram postas como uma arte de amor. Para não esquecer nenhuma de suas criações, em um Natal, Therezinha ganhou um gravador de fitas cassetes, que hoje guardam a memória de seus pescadores, de suas meninas, de seus cantos natalinos.
Aos 55 anos, já uma senhora autodidata, aventurou-se a escrever contos infantis. Tem outras dezenas deles. São criativos, inéditos, com lições divertidas às crianças de hoje que, apesar da Internet, apesar dos games, apesar da TV HD, continuam sendo crianças que necessitam aprender dos personagens míticos.
Quero registrar minha admiração e meu tributo, a essa senhora que aos 75 anos conseguiu realizar um sonho longamente acalentado: publicou pela primeira vez um livro com alguns dos seus contos. Mas o sonho não veio fácil: Therezinha tem um tino pelo comércio invejável. Agora, ela que sempre fez propaganda dos outros, está aprendendo a fazer a própria propaganda para vender pessoalmente a maioria dos seus livros.
Lá a vejo, com seus passos cuidadosos pelas calçadas da metrópole, visitando seus muitos e muitos conhecidos. Lá vai Therezinha, ensinando que um sonho se constrói a cada dia da vida, seja longa seja curta. Lá vai Therezinha, ensinando que o sonho não é quimera, é meta que nos mantém jovens.
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| Quem desejar conhecer os contos de Therezinha, ligar para (11) 3171-2198 |
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16 de novembro de 2010
Tomar ou não tomar vitaminas para envelhecer bem?
Muita gente pensa que para envelhecer bem é preciso tomar algumas “vitaminas”. Outras pensam que “geriatra que é geriatra, deve prescrever alguma vitamina ao paciente idoso”. Muitas vezes ouço de pacientes ou familiares: “Doutora, acho que é preciso alguma vitamina, a senhora não acha?” Afinal, precisamos ou não precisamos tomar vitaminas?
As vitaminas juntamente com outras substâncias que compreendem o que chamamos de “micronutrientes”, são substâncias que o organismo requer para uma série de processos bioquímicos e para a formação de hormônios, fundamentais para o crescimento e para o bom funcionamento de todo o corpo. São chamados de “micronutrientes” porque, ao contrário dos macronutrientes (carboidratos, gorduras, proteínas), formam um grupo muito diversificado cujas necessidades diárias são muito pequenas, embora essenciais.
Esse conceito é importante porque já nos indica que, como são necessários em pequenas quantidades, alguns micronutrientes também podem causar intoxicações se forem consumidos em altas doses.
Há diversos estudos atuais que tentam comprovar os benefícios da utilização de polivitamínicos como complementação alimentar. Não podemos deixar de observar que há interesses comerciais envolvidos e, ainda assim, os resultados são bastantes frustros embora nem sempre sejam apresentados dessa forma aos consumidores. Além disso, é interessante notar, que quando se comparam reposições de micronutrientes em formas artificiais (cápsulas ou em pó, por exemplo) com formas naturais (por meio de uma dieta adequada), a reposição natural é sempre mais efetiva.
Fraqueza, mal-estar, inapetência, desânimo, perda de memória, cansaço entre outros, fazem parte dos sintomas que levam muitas pessoas a consumir polivitamínicos. Entretanto, essa atitude é um grande risco para a saúde física e mental. Tal quadro deve ser avaliado por um médico de confiança, no caso dos idosos, preferencialmente por um geriatra. Muitas vezes, o que as pessoas julgam poder ser corrigido com “umas vitaminas”, podem, na verdade, ser doenças sérias: depressão, Alzheimer, Parkinson, insuficiência cardíaca, insuficiência pulmonar, insuficiência renal etc.
Para todos que procuram melhor desempenho físico ou mental e por isso desejam tomar vitaminas, o que é realmente recomendável é procurar ter uma vida mais saudável: dormir as horas necessárias e bem, alimentar-se de forma equilibrada, praticar atividade física, não fumar, consumir bebidas alcoólicas com moderação, manter-se bem hidratado e ter metas de vida. Muitas pessoas me pedem uma “receita” para envelhecer bem. Essa é a “receita”: ter uma vida saudável. Não há segredos. É verdade que nosso estilo de vida, especialmente nas grandes cidades, nem sempre propicia as melhores condições para essa vida saudável. Mas eis um bom motivo para buscar ajuda: a consulta médica é também um aconselhamento, uma ajuda personalizada. Não podemos esquecer nunca que a prevenção sempre será o melhor remédio.
Há muita propaganda sobre vitaminas nacionais e estrangeiras com promessas milagrosas de aumento de vitalidade, da capacidade física e mental, e isso é atraente porque é uma forma fácil de conseguir um bom objetivo. Ainda que não seja o que gostaríamos de “ouvir”, não devo deixar de dizer: em geral, tudo aquilo que realmente vale a pena na vida não é tão fácil de alcançar. Isso não quer dizer que não seja simples, mas exige esforço. E esse esforço vale a pena: saúde não se compra, se conquista!
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11 de novembro de 2010
Senescência, Senilidade e Envelhecimento bem sucedido
Senescência
Sabe-se, pelos atuais conhecimentos científicos, que o avançar do tempo traz alterações no organismo que são notadas quando o comparamos ao desempenho do adulto jovem. Essas alterações, no processo de senescência, são muito discretas, ainda que contínuas, porém não são intensas o suficiente para comprometer a vida do idoso a ponto de ele perder independência e autonomia. Alguns exemplos dessas alterações esperadas são: diminuição do vigor, da força e da rapidez de reações e funções, físicas e mentais.

Senilidade
Já os efeitos ao longo dos anos de doenças mal controladas, levam a desgastes do organismo que vão além do processo natural. Portanto, o diagnóstico precoce e o acompanhamento rigoroso das doenças que por ventura nos acometerem ao longo da vida, é essencial para um envelhecimento saudável. São exemplos de comprometimentos freqüentes que são devidos a processos anormais do envelhecimento: doenças cardíacas decorrente de hipertensão arterial e/ou diabetes, dificuldade motora por causa de artrose, perda de memória devido à doença de Alzheimer, doença pulmonar causada pelo tabagismo etc.
Já os efeitos ao longo dos anos de doenças mal controladas, levam a desgastes do organismo que vão além do processo natural. Portanto, o diagnóstico precoce e o acompanhamento rigoroso das doenças que por ventura nos acometerem ao longo da vida, é essencial para um envelhecimento saudável. São exemplos de comprometimentos freqüentes que são devidos a processos anormais do envelhecimento: doenças cardíacas decorrente de hipertensão arterial e/ou diabetes, dificuldade motora por causa de artrose, perda de memória devido à doença de Alzheimer, doença pulmonar causada pelo tabagismo etc.
Envelhecimento bem sucedido
É verdade que nem todas as doenças são ainda totalmente evitáveis. Mas mesmo assim, muitas doenças dentre as mais comuns, podem ser pelo menos minimizadas. Nesse contexto, a promoção de saúde tem papel fundamental para quem deseja um envelhecimento bem sucedido. Por isso, podemos começar o acompanhamento com o médico geriatra – que também é necessariamente um bom clínico geral – desde cedo, ao redor dos quarenta anos ou antes.
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10 de novembro de 2010
O que é "Geriatria"
Geriatria é a especialidade médica que se dedica ao cuidado da pessoa idosa. Em vistas das mudanças sociais de nossa sociedade, nascem menos crianças e morre-se mais tarde em comparação aos séculos passados da História da Humanidade. Isso significa que cada vez mais, essa especialidade ganhará destaque e esses profissionais serão mais necessários.
Entretanto, o aumento da expectativa de vida, leva-nos, às vezes, a sentimentos contraditórios em relação à vida: não desejamos morrer, tampouco queremos envelhecer.
Ainda que seja uma dura realidade, não é possível evitar por completo o envelhecimento, uma vez que se trata de um processo natural do ciclo de vida de todos os seres vivos. No entanto, cabe aqui, diferenciarmos o envelhecimento normal, tecnicamente chamado de senescência, daquele processo anormal ou patológico, que chamamos de senilidade.
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