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15 de novembro de 2010

Depressão e envelhecimento: existe uma relação?

Vincent Van Gogh - Old Man in Sorrow
Muitas pessoas se perguntam se envelhecer traz tristeza ou depressão. Aliás, muitas pessoas temem o envelhecimento porque o encaram como uma fase melancólica, só de declínios e perdas. Entretanto, ainda que o envelhecimento físico seja inevitável, o envelhecimento do espírito, depende muito mais de nós mesmos, de como encaramos a vida, do que do tempo cronológico.
Por outro lado, as transformações que o corpo sofre no processo de envelhecimento, podem vir acompanhadas de uma série de desbalanços químicos cerebrais que desencadeiam doenças diversas tais como demências, outros processos degenerativos e também transtornos depressivos. 
Muito se tem estudado sobre a depressão, pois é muito comum. Alguns estudos estimam que até 20% da população em algum momento experimentará um episódio depressivo significativo ao longo da vida. As mulheres e os idosos são mais propensos à doença. Além de ser comum, é uma doença mental que costuma ser recorrente e com potencial de causar sérios problemas e limitações para a vida do paciente.
Sabe-se que a depressão não costuma ser um problema com uma única causa. Pode-se ficar deprimido por circunstâncias externas adversas intensas e prolongadas como problemas familiares, luto, desemprego, frustrações, violência, abandono ou por adversidades físicas transitórias ou crônicas, como infarto, acidente vascular cerebral, doenças reumatológicas, câncer etc.
Por todas essas razões, os idosos são mais vulneráveis ao desenvolvimento de quadros depressivos. Por viverem mais, sofrem maior exposição a todas as situações de risco citadas e, além do mais, têm um organismo mais suscetível às alterações cerebrais associadas à depressão.
Ainda que seja comum, a depressão também não pode ser banalizada. É um diagnóstico médico e deve ser avaliada com seriedade. Depressão não é só “estar triste”. Tristeza é um sentimento comum que todos os seres humanos experimentamos. Quando passamos por qualquer situação de perda ou de um desejo não alcançado, é natural sentirmos tristeza. Entretanto, esse sentimento passa a ser patológico, isto é, doentio, quando atinge uma intensidade e/ou um tempo de duração excessivos, ao ponto de comprometer o funcionamento normal da pessoa, ou seja, quando passa a “atrapalha” a vida normal.
No caso dos idosos, a depressão é muitas vezes pouco diagnosticada porque freqüentemente não se apresenta com os evidentes sintomas de perda de prazer pelas atividades antes agradáveis, alterações de sono e apetite e os sentimentos de tristeza marcante. Nos idosos, esses sintomas podem ou não estar presentes, mas vários outros também são encontrados: sentimentos de inutilidade e desesperança; sintomas físicos inexplicáveis apesar de os exames serem normais; lentificação dos movimentos e do raciocínio; apatia, alterações de memória e da concentração; irritabilidade, inquietação, indecisão, baixa auto-estima; cansaço intenso, perda de energia; diminuição do desejo sexual, sentimentos de culpa... Além disso tudo, podem surgir sintomas que beiram os delírios, crenças irreais, idéias de falência sobre si mesmo, o desejo de morte e até atos auto-agressivos elaboração do suicídio.
Nem sempre, diante de quadros depressivos em idosos, é fácil diferenciar uma situação de depressão “pura” do início de um processo de demência, por exemplo, de doença de Alzheimer. No início dessa doença os sintomas tendem a se sobrepor. Nessas situações o acompanhamento por um geriatra pode ser muito importante para orientar a família e propor tratamentos individualizados.
Muito se tem a fazer por um idoso com depressão. O tratamento, que inclui remédios – há diversas classes de medicamentos –, deve abordar também as outras esferas do ser humano: o suporte familiar, a prática regular de atividade física, a participação em grupos sociais e religiosos, o desenvolvimento de aptidões artísticas e manuais e a psicoterapia.
Todos esses aspectos do tratamento têm igual importância. Em relação aos remédios, alguns cuidados devem ser tomados: devem ser sempre prescritos pelo médico e o paciente deve seguir as dosagens propostas, referindo ao médico os efeitos colaterais e sendo persistente porque, em geral, os efeitos benéficos só são sentidos após mais de um mês de tratamento.
A depressão é, portanto, uma doença clínica comum, especialmente na população idosa. Precisamos estar atentos ao fato e não atribuirmos tais sintomas ao envelhecimento normal. Esses aspectos precisam ser abordados nas consultas de rotina e, quando tratados, podem melhorar significativamente a qualidade de vida. Afinal, é verdade que a vida se transforma, mas, como diz a canção, “saudade, sim, tristeza, não”!

14 de novembro de 2010

Doença de Alzheimer

Dr. Alois Alzheimer, médico alemão que primeiro descreveu a doença que hoje leva seu nome


Com o envelhecimento da população, são cada vez mais freqüentes os diagnósticos de doenças neurodegenerativas, isto é, doenças que levam à perda de funções neurológicas por processos destrutivos diversos. Dentre os processos neurodegenerativos mais comuns, encontra-se a doença de Alzheimer.
A doença de Alzheimer é uma causa (a primeira ou a segunda, na maioria dos estudos) de demência.
Demência é um distúrbio mental irreversível, que atinge geralmente idosos ainda que possa acometer adultos mais raramente. As alterações intelectuais da demência são de intensidade variável e envolvem diversos domínios da capacidade mental: a memória (capacidade de lembrar fatos passados), a linguagem (capacidade de comunicação), as habilidades motoras (coordenação e noção de localização espacial), as emoções (o modo de ser ou “personalidade”), a cognição (capacidade de fazer abstrações e julgamentos, também de fazer cálculos).
A história típica de doença de Alzheimer é a de indivíduos acima dos 60 anos de idade que começam primeiro a apresentar “lapsos” de memória e depois passam a fazer confusões com objetos, com datas, com as finanças, perdem-se em lugares antes conhecidos, mudam seu modo de ser, etc. É uma história lenta e progressiva. É preciso estar atento porque muitas pessoas acham que é normal da idade haver falhas de memória.
É verdade, que mesmo o envelhecimento saudável está associado a um grau de diminuição de velocidade de raciocínio, mas, em situações normais, mesmo os mais idosos, deveriam permanecer com todas as suas capacidades intelectuais preservadas ainda que às vezes um pouco menos ágeis. Isto significa que o normal é envelhecer com boa memória mantendo a própria autonomia.
A doença de Alzheimer ainda não tem cura. Há remédios que podem controlar alguns dos seus sintomas, mas a progressão é inevitável. Do momento do diagnóstico até o final de vida do paciente, podem passar de três a quinze anos, mais ou menos. Em média, esses pacientes vivem cerca de oito anos. O diagnóstico de certeza só seria possível com a realização de biópsia cerebral, o que não é feito na prática. Por isso, ele é geralmente inferido pelas características clínicas dos sinais e sintomas do paciente e pela exclusão de outros diagnósticos, por meio de exames laboratoriais e de imagem.
É importante procurar ajuda especializada quando um idoso começa a ter “falhas” de memória. Pode ser o início de um processo demencial, porém podem ser outras doenças. O importante é não acharmos “normal da idade”. Quando achamos normal, não tomamos providências e podemos deixar de prevenir causas reversíveis de perda de memória. Além do mais, mesmo que o diagnóstico seja de um processo irreversível, o conhecimento do fato é essencial para aprendermos a lidar com a situação.