14 de novembro de 2010

Doença de Alzheimer

Dr. Alois Alzheimer, médico alemão que primeiro descreveu a doença que hoje leva seu nome


Com o envelhecimento da população, são cada vez mais freqüentes os diagnósticos de doenças neurodegenerativas, isto é, doenças que levam à perda de funções neurológicas por processos destrutivos diversos. Dentre os processos neurodegenerativos mais comuns, encontra-se a doença de Alzheimer.
A doença de Alzheimer é uma causa (a primeira ou a segunda, na maioria dos estudos) de demência.
Demência é um distúrbio mental irreversível, que atinge geralmente idosos ainda que possa acometer adultos mais raramente. As alterações intelectuais da demência são de intensidade variável e envolvem diversos domínios da capacidade mental: a memória (capacidade de lembrar fatos passados), a linguagem (capacidade de comunicação), as habilidades motoras (coordenação e noção de localização espacial), as emoções (o modo de ser ou “personalidade”), a cognição (capacidade de fazer abstrações e julgamentos, também de fazer cálculos).
A história típica de doença de Alzheimer é a de indivíduos acima dos 60 anos de idade que começam primeiro a apresentar “lapsos” de memória e depois passam a fazer confusões com objetos, com datas, com as finanças, perdem-se em lugares antes conhecidos, mudam seu modo de ser, etc. É uma história lenta e progressiva. É preciso estar atento porque muitas pessoas acham que é normal da idade haver falhas de memória.
É verdade, que mesmo o envelhecimento saudável está associado a um grau de diminuição de velocidade de raciocínio, mas, em situações normais, mesmo os mais idosos, deveriam permanecer com todas as suas capacidades intelectuais preservadas ainda que às vezes um pouco menos ágeis. Isto significa que o normal é envelhecer com boa memória mantendo a própria autonomia.
A doença de Alzheimer ainda não tem cura. Há remédios que podem controlar alguns dos seus sintomas, mas a progressão é inevitável. Do momento do diagnóstico até o final de vida do paciente, podem passar de três a quinze anos, mais ou menos. Em média, esses pacientes vivem cerca de oito anos. O diagnóstico de certeza só seria possível com a realização de biópsia cerebral, o que não é feito na prática. Por isso, ele é geralmente inferido pelas características clínicas dos sinais e sintomas do paciente e pela exclusão de outros diagnósticos, por meio de exames laboratoriais e de imagem.
É importante procurar ajuda especializada quando um idoso começa a ter “falhas” de memória. Pode ser o início de um processo demencial, porém podem ser outras doenças. O importante é não acharmos “normal da idade”. Quando achamos normal, não tomamos providências e podemos deixar de prevenir causas reversíveis de perda de memória. Além do mais, mesmo que o diagnóstico seja de um processo irreversível, o conhecimento do fato é essencial para aprendermos a lidar com a situação.

12 de novembro de 2010

Como otimizar a consulta com o médico geriatra





As primeiras consultas geriátricas, em geral são mais demoradas que o habitual por isso deixo algumas sugestões e dicas para que as consultas médicas sejam mais proveitosas.

Horário: programe-se para chegar cerca de 20 minutos antes da sua consulta. Especialmente na primeira vez, talvez você não conheça bem o local, demore para estacionar o carro e ainda precisará preencher uma ficha com a secretária. Não são todos os médicos que atrasam! 

Acompanhante: quase sempre é interessante que o paciente vá à consulta acompanhado para que o ajude a se lembrar de algumas questões, a memorizar orientações e tratamentos propostos. Entretanto, o acompanhante deve procurar ser oportuno deixando o paciente se expressar livremente, não respondendo por ele, mas somente ajudando-o quando não se lembrar ou não puder falar por alguma limitação. O ideal é vir com um ou no máximo dois acompanhantes, evitando as “comitivas”. Muitas vezes, será conveniente que em algum momento da consulta o paciente converse às sós com o médico.

Como contar a história médica: procure fazer um resumo em ordem cronológica dos problemas de saúde que tiver (escreva algumas palavras que o ajudem a lembrar na hora da consulta). Ao falar de sintomas novos, conte quando começaram, quando são desencadeados, como são aliviados e como interferem no dia-a-dia. Se há vários sintomas, liste-os, fale o que acha mais importante primeiro e procure ser objetivo ao descrevê-los. Não deixe para o final da consulta nenhuma queixa, porque isso pode mudar todo o raciocínio médico sobre quadro clínico.

Procure lembrar-se também de todos os tratamentos médicos e cirurgias realizados no passado. Mencione os médicos ou especialidades com os quais faz ou fez algum tratamento. Procure pensar nos problemas de saúde de seus familiares mais próximos (pais, irmãos, tios, primos de primeiro grau e filhos). Essas informações serão questionadas pelo médico.

Lembre-se que o médico que lhe atende procurará ser compreensível. Médicos não são seres diferentes dos “comuns dos mortais”, são de “carne e osso”. Não tenha “medo de levar broncas”. Por isso, seja sincero, fale a verdade e não omita informações. O alicerce da relação médico-paciente, que é uma parceria em prol do bem do paciente, é a confiança.

Assim, se não estiver fazendo direito um tratamento, diga-o claramente e procure pensar nos motivos: esquecimento, incômodo, receio dos efeitos colaterais, impossibilidade financeira, não aceitação da doença etc. O médico, por sua vez, deverá ajudá-lo a contornar suas dificuldades nesse sentido. Também não minimize nem exagere nas descrições de seus sintomas.
Se houver dificuldade para ouvir ou enxergar, avise o médico. Não esqueça de levar os óculos e os aparelhos auditivos.

Não tenha receio de conversar sobre assuntos íntimos, eles integram o bem-estar físico-psíquico-espiritual da condição humana. Se estiver acompanhado, sinalize que deseja conversar em particular. Se for o caso, fale dos sentimentos que o incomodam: tristezas, angústias, estresse, questões sexuais, dificuldades econômicas, preocupações, sinais no corpo que o assustaram (um sangramento, por exemplo, ou uma dor “diferente”, um “caroço” etc).
Tire as suas dúvidas e pergunte com franqueza. O médico deve lhe explicar com linguagem compreensível. Volte a perguntar se continuar não entendendo alguma informação, seja sobre o seu diagnóstico, sobre os exames pedidos ou sobre as medicações e orientações prescritas.

É bastante útil, ao fim da consulta, que o paciente ou o acompanhante faça um resumo das orientações e dos tratamentos propostos para assegurar que nada foi mal compreendido. Em geral, o médico escreve as orientações mais importantes. Se ele não o fizer, faça você as suas anotações.

Medicações: leve anotado todos os nomes e dosagens de todas as medicações que foram utilizadas no último mês e os horários em que são tomadas. É importante não deixar de lado nenhum remédio, incluindo os “caseiros”, “naturais”, “vitaminas”, “calmantes”, colírios, remédios para dor, para tontura, para o intestino, para dormir, ou qualquer outro, mesmo que ache que “não tem muita importância”. Pode ser útil levar as receitas de outros profissionais.

Controles: algumas vezes os médicos pedem alguns controles a serem realizados em casa. Esses controles podem ser medidas de pressão arterial, de glicemia capilar, de temperatura ou podem ser “diários” em que o paciente deve anotar sua alimentação, atividades físicas ou funcionamento do intestino, da bexiga etc. Esclareça bem a forma de fazer esses controles e não esqueça de levá-los na próxima consulta!

Exames: leve todos os exames relacionados ao seu estado atual. Não esqueça dos que foram pedidos na última consulta. Quanto a exames de rotina, leve os últimos de cada tipo (última mamografia, ultrassonografia, ecocardiograma, densitometria óssea etc).
Em geral, não é aconselhável jogar fora exames antigos, mesmo se são normais. Eles podem ajudar a verificar a época em que determinada doença surgiu e acompanhar a evolução da mesma. Entretanto, se há vários exames repetidos, guarde, então, os dois últimos.

11 de novembro de 2010

Senescência, Senilidade e Envelhecimento bem sucedido

Senescência
Sabe-se, pelos atuais conhecimentos científicos, que o avançar do tempo traz alterações no organismo que são notadas quando o comparamos ao desempenho do adulto jovem. Essas alterações, no processo de senescência, são muito discretas, ainda que contínuas, porém não são intensas o suficiente para comprometer a vida do idoso a ponto de ele perder independência e autonomia. Alguns exemplos dessas alterações esperadas são: diminuição do vigor, da força e da rapidez de reações e funções, físicas e mentais.

Senilidade

Já os efeitos ao longo dos anos de doenças mal controladas, levam a desgastes do organismo que vão além do processo natural. Portanto, o diagnóstico precoce e o acompanhamento rigoroso das doenças que por ventura nos acometerem ao longo da vida, é essencial para um envelhecimento saudável. São exemplos de comprometimentos freqüentes que são devidos a processos anormais do envelhecimento: doenças cardíacas decorrente de hipertensão arterial e/ou diabetes, dificuldade motora por causa de artrose, perda de memória devido à doença de Alzheimer, doença pulmonar causada pelo tabagismo etc.

Envelhecimento bem sucedido
É verdade que nem todas as doenças são ainda totalmente evitáveis. Mas mesmo assim, muitas doenças dentre as mais comuns, podem ser pelo menos minimizadas. Nesse contexto, a promoção de saúde tem papel fundamental para quem deseja um envelhecimento bem sucedido. Por isso, podemos começar o acompanhamento com o médico geriatra – que também é necessariamente um bom clínico geral – desde cedo, ao redor dos quarenta anos ou antes.

10 de novembro de 2010

O que é "Geriatria"

Geriatria é a especialidade médica que se dedica ao cuidado da pessoa idosa. Em vistas das mudanças sociais de nossa sociedade, nascem menos crianças e morre-se mais tarde em comparação aos séculos passados da História da Humanidade. Isso significa que cada vez mais, essa especialidade ganhará destaque e esses profissionais serão mais necessários.
Entretanto, o aumento da expectativa de vida, leva-nos, às vezes, a sentimentos contraditórios em relação à vida: não desejamos morrer, tampouco queremos envelhecer.
Ainda que seja uma dura realidade, não é possível evitar por completo o envelhecimento, uma vez que se trata de um processo natural do ciclo de vida de todos os seres vivos. No entanto, cabe aqui, diferenciarmos o envelhecimento normal, tecnicamente chamado de senescência, daquele processo anormal ou patológico, que chamamos de senilidade.


Ora, se o envelhecimento enquanto senescência é um processo normal, devemos buscar como meta de saúde, o envelhecimento saudável, livre dos efeitos da senilidade.